Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização.

Biografia e Carreira

António Chainho: guitarra em Português.

Se a guitarra portuguesa é um símbolo de um país, Mestre António Chainho é hoje o seu mais notável embaixador. Herdeiros de uma singular tradição, os mais de 50 anos de carreira de Mestre António Chainho interpretam e traduzem as múltiplas emoções deste instrumento único no mundo e o talento inigualável de um dos "50 músicos mais influentes da World Music". *

* segundo a revista internacional Songlines.

Artista completo, guitarrista e compositor profícuo, Mestre António Chainho é o exemplo vivo de como o talento, a perseverança e a solidariedade - em forma de cumplicidade - moldam a vida de um homem e com ele a história da música popular.

Verdes anos

Nascido numa família tradicional alentejana, António Chainho, é autodidata desde os seis anos. Começou por juntar a música de tradição rural com o Fado de Lisboa e mais tarde fundiu estas duas correntes musicais com outras "músicas do Mundo".

Quando saiu da tropa, estava decidido que o seu destino seria a guitarra portuguesa. Corriam os anos sessenta e António Chainho, alentejano e no vigor dos vinte anos, logo demonstrou o seu virtuosismo nas doze cordas. Para trás ficava o café dos pais, em São Francisco da Serra (Santiago do Cacém), onde, aos oito anos, se tinha iniciado nas lides. O pai manejava a guitarra, pousada sobre a mesa de bilhar e sempre à disposição, com destreza; e o filho, aos treze anos, já se apresentava em público.

Anos 60

Em meados dos anos 60 muda-se para Lisboa e inspirado em mestres como Armandinho, estreia-se na casa de fados A Severa, a que se seguiram actuações n’O Faia, n’O Folclore e no Picadeiro, de que aliás seria proprietário e onde foi dando azo ao seu amor pela guitarra portuguesa, acabando por formar o seu próprio conjunto de guitarras.

Mas é quando grava com Maria Teresa de Noronha, Lucília do Carmo e Hermínia Silva e acompanha Carlos do Carmo, Francisco José, Tony de Matos, António Mourão, Frei Hermano da Câmara e Manuel de Almeida que Mestre Chainho começa a deixar marcas na história da guitarra portuguesa. Ela seria a sua noiva para o resto da vida. E, desde aí, não se cansou de a mostrar ao resto do mundo.

Emissora Nacional

Em 1967 a Emissora Nacional convida-o a formar o seu conjunto de Guitarras para um programa de rádio de Guitarradas - em que actua, ao vivo e em directo.
Dele faziam parte o guitarrista José Luís Nobre Costa , o viola José Maria Nóbrega e o baixista Raúl Silva. Para quem tinha aprendido a tocar a guitarra de ouvido colado à telefonia, tinha chegado a vez de ser considerado um dos seus primeiros executantes enquanto autor de memoráveis recitais de guitarra transmitidos pela rádio em Portugal.

É por essa mesma altura, em finais dos anos sessenta, que grava o seu primeiro disco, o EP "Solos de Chainho", para a já extinta editora Rapsódia, seguindo-se mais quatro discos no mesmo formato para outras companhias discográficas.

Carreira a solo

O orgulho na sonoridade da guitarra portuguesa levou-o no entanto a inverter posições. E se o protagonismo de um recital não pertencer tanto à voz como ao dedilhar de uma guitarra, porque não hão-de os holofotes incidir no canto de um dos mais brilhantes instrumentos portugueses. As guitarras não têm que gemer sempre baixinho e António Chainho assume por isso o risco de enveredar por uma carreira a solo. Com a modéstia que é reconhecida aos grandes, chama os maiores artistas para cantar consigo, confirmando que a sua missão é levar pelos quatro cantos do mundo a sua amada.

Com Paco de Lucia / Com K.D. LAngActua então em recitais por todo o mundo a solo ou dividindo o palco com Paco de Lucia ou John Williams; em concertos isolados ou em festivais dedicados à guitarra como aconteceu no maior festival de guitarra em Córdova. Abre uma nova frente ao iniciar uma discografia em nome próprio com o álbum “Guitarra Portuguesa” e um segundo disco gravado com a Orquestra Sinfónica de Londres, abraçando decididamente uma carreira discográfica, exclusivamente composta por temas originais, agora com o selo Movieplay.

Este percurso determinado e singular resulta, nomeadamente, na colaboração em projetos internacionais com Paco de Lucia, John Williams, José Carreras e KD Lang. A prestigiada revista Songlines considera Mestre António Chainho "um dos 50 músicos mais influentes da World Music".

Num mesmo movimento explora novas direcções para o fado. Toca guitarra portuguesa no álbum “Fura Fura” de José Afonso e, com Rão Kyao, participa no álbum “Fado Bailado”. É altura de experimentar o contacto com outras culturas e abre a guitarra portuguesa à voz de cantoras como as brasileiras Gal Costa e Fáfá de Belém, a espanhola Maria Dolores Pradera e a japonesa Saki Kubota. Os convites sucedem-se e tomam formas insondáveis para quem não partilha o gosto pela reinvenção constante da guitarra portuguesa. Na colectânea "Red Hot + Lisbon", acompanha a norte-americana kd Lang no tradicional "Fado Hilário".

Anos 90

O seu primeiro "ato de libertação" toma forma em 1996 quando Mestre António Chainho lança um álbum instrumental com a London Philarmonic Orchestra. Este risco assumido pelo autodidata - com um talento raro e natural - seria o ponto de partida para uma brilhante, produtiva e diversificada carreira a solo como compositor e artista.

Em 1998, já não consegue esconder a sua paixão e grava "A Guitarra e Outras Mulheres". Mestre António Chainho grava o primeiro gravar disco de sempre que são convidadas - pela guitarra portuguesa - vozes de outras áreas que não o fado. É acompanhado por Teresa Salgueiro (Madredeus), Marta Dias, Filipa Pais, Ana Sofia Varela, Elba Ramalho ou Nina Miranda (Smoke City), e por alguns dos músicos mais prestigiados da "downtown" de Nova Iorque (Bruce Swedien, Greg Cohen, Peter Scherer). A sua dedicação e talento são finalmente reconhecidos e o disco vende mais de vinte mil cópias, tornando-se uma referência na arte de bem tocar a guitarra portuguesa. Bruce Swedien - detentor de vários Grammy e júri dos prestigiados prémios musicais - considera a "A Guitarra e outras Mulheres" um forte candidato à conquista e apenas a ausência de uma edição nos Estados Unidos o impede de entrar na corrida.

No Brasil

Mas é no Brasil - uma das suas paixões - que reencontra um brilho por ventura perdido e restabelece a ligação entre a música brasileira e a portuguesa. Com Celso Fonseca e Jaques Morelenbaum, habitual arranjador de Caetano Veloso, protagoniza o álbum "Lisboa - Rio", com convidados como Ney Matogrosso, Armandinho ou Dominguinhos, num cruzamento da tradição portuguesa com alguns clássicos da música brasileira. Sabendo da vocação universal da guitarra portuguesa, ergue então um novo marco da sua divulgação.

Pavilhão Atlântico

Os papéis voltam a inverter-se e agora Chainho é convidado para acompanhar as maiores vozes contemporâneas. O cantor lírico José Carreras não dispensa a sua colaboração num concerto no Pavilhão Atlântico; Adriana Calcanhoto chamou-o para junto de si numa das suas digressões em Portugal e Maria Bethânia convida-o para se apresentar em espectáculos no Rio de Janeiro e São Paulo. No Brasil, em Itália, no Japão ou nos EUA, António Chainho insiste em divulgar a guitarra portuguesa.

O Ensino

Como todos os verdadeiros talentos, ciente da herança cultural que transporta, Mestre António Chainho assume um relevante papel pedagógico enquanto Mestre da Guitarra Portuguesa. A sua profunda aprendizagem pessoal é transmitida através do papel desempenhado na fundação da primeira Escola de Guitarra Portuguesa em Lisboa - ideia que o Mestre António Chainho acalentou durante 12 anos e que contribuiu para o movimento que conduziria à criação do Museu do Fado - e na criação das suas próprias escolas em Santiago do Cacém, Grândola e ilha da Madeira.

Actualidade

Desde a edição de "A Guitarra e Outras Mulheres", Marta Dias, Isabel Noronha, Filipa Pais e muitas outras vozes femininas tomaram um lugar destacado ao lado de António Chainho. Em disco e em concerto, "Fadinho Simples", um dos temas fortes do álbum "A Guitarra e Outras Mulheres", conduz Marta Dias pelos domínios do jazz, da soul ou até da música brasileira, sem nunca evitar o fado.

Isabel Noronha

Para o espectáculo deste álbum, António Chainho faz-se acompanhar por Eduardo Miranda e Tuniko Goulart, músicos brasileiros radicados em Portugal.
Isabel Noronha, Filipa Pais ou Mafalda Arnauth, são outras das vozes revelação a que a mestria da guitarra portuguesa se alia. As apresentações de Chainho continuam a surpreender ao nível global e fazem escola entre alunos na Índia (país onde foi agraciado com o título de Mestre pela Music School of Bangalore), Japão, Brasil (países em que foi igualmente homenageado).

O seu trabalho e genuinidade merecem reconhecimento oficial um pouco por todo o mundo, desde Marrocos aos Estados Unidos, e também no seu concelho natal, Santiago do Cacém, onde o auditório municipal foi batizado com o seu nome.

Cumplicidades

Em "Cumplicidades" - álbum lançado em 2015 com a colaboração de músicos de Portugal, Brasil, Angola e Cabo Verde - soa a toda a paixão, entrega e dedicação que apenas Mestre António Chainho consegue dedilhar num acorde, conter numa harmonia e abrigar, para sempre, nos corações. A gama de emoções para a qual nasceram e que torna inseparáveis a guitarra portuguesa e Mestre António Chaínho.

Tendo celebrado 50 anos de carreira entre 2015 e 2016, Mestre António Chainho significa guitarra, em Português.

Newsletter

Receba as nossas novidades.
Subscrever

Siga-nos!

Acompanhe-nos nas redes sociais

Management

Management & Booking: Ghude
TM: +351 968 028 815